Nos últimos três meses temos vivido algo de que não há memória no passado recente: uma pandemia mundial. O mundo inteiro parou, desde as mais variadas indústrias até ao desporto. Todas as competições desportivas foram canceladas ou adiadas. O Andebol não foi exceção e também sofreu o mesmo efeito. Campeonato Andebol 1 cancelado, Liga dos Campeões adiada e será jogada em moldes completamente distintos, Taça EHF cancelada, Play-Off de apuramento para o Mundial cancelado. O Mundo parou e o mundo do Andebol parou também.
Todos temos noção que já existiam, antes da pandemia, inúmeros clubes que passavam por dificuldades financeiras: as deslocações são muitas, as despesas com as inúmeras equipas de formação, os apoios financeiros e os patrocínios são quase nenhuns. Muitas equipas tentam impedir que a vertente financeira afete os resultados desportivos, mas mais tarde ou mais cedo é inevitável, como no caso do histórico ABC.
Naturalmente, com a pandemia e com o cancelamento das competições, as condições destes e de outros clubes agravaram-se. Não há jogos, não há patrocínios, mas os gastos não desaparecem. A equação é muito simples e não afeta só clubes portugueses: no estrangeiro, mesmo antes da pandemia, sabíamos que o histórico RK Vardar estava em risco de desaparecer (felizmente já foi “salvo”), mas nos últimos dias foi o colosso polaco Kielce que anunciou que perdeu o seu principal patrocinador dos últimos 18 anos e que agora precisa de cerca de 600 mil euros para financiar o plantel na próxima época. De recordar que o Kielce foi vencedor da Liga dos Campeões em 2016 e que é um dos colossos do andebol europeu.
Por cá também temos recebido notícias do género. Há clubes a recusar a participação na Segunda Divisão (ACR Zona Azul, por exemplo), há clubes que tiveram de escolher entre a equipa sénior masculina e a equipa sénior feminina (NAAL Passos Manuel, que não vai competir nas provas seniores masculinas em 2020/21) e outros que procuram apoios financeiros, como CF Os Belenenses, para participar nas competições europeias.
Ora, alguns apoios já foram anunciados e algumas medidas já foram tomadas. O formato do Andebol 1 vai mudar na próxima época: as equipas vão passar de 14 para 16, mas a quantidade de jogos vai diminuir para 30, já que se vai jogar num formato todos contra todos, mas apenas numa fase, terminando a divisão em Grupos A e B.
Neste sentido, a FAP (Federação de Andebol de Portugal) também já divulgou aquele que considera ser o “maior esforço financeiro alguma vez realizado na modalidade”, que pode chegar aos 600 mil euros. Algumas medidas são: Isenção da taxa de inscrição de todos os atletas nos escalões de formação (Bambis a Juvenis); Manutenção dos apoios concedidos à III Divisão Masculina e à II Divisão feminina e atribuição de um subsídio aos clubes; Atribuição de um subsídio complementar aos clubes, de valor igual ao das multas por infrações leves aplicadas em 2019/20, a distribuir por todos os clubes.
No que ao contingente de apoios diz respeito, a IHF anunciou que aumentou os valores pagos a clubes e federações durante os Campeonatos do Mundo (recorde-se que Portugal vai participar no Masculino). Ou seja, as federações já receberam os 23 mil euros de bónus de participação e os clubes vão receber 560 euros por dia por cada jogador que tiverem no Mundial.
Passamos, então, a analisar a situação do histórico CF Os Belenenses. Quando a época foi cancelada, o clube estava no quarto lugar do Campeonato Andebol 1, tendo sido assim convidada pela EHF a integrar a nova competição europeia EHF European League. No entanto, para confirmar esta presença histórica 11 anos depois da última, em 2008/09, o clube procura pelo menos mais 20 mil euros em apoios financeiros para perfazer um orçamento necessário de 50 mil euros, já depois de ter feito inúmeros cortes nos salários e nas despesas.
De realçar que o clube espera ter um plantel de 15 jogadores, tendo já 12 nomes confirmados. As novidades na equipa estendem-se também ao staff, já que o treinador Luís Monteiro vai ser o novo “homem do leme”. Em termos de plantel, já foram asseguradas as renovações de Diogo Domingos, Bruno Moreira, Nelson Pina, Rui Barreto, Fábio Semedo, Pedro Solha, Filipe Pinho, João Ferreira, entre outros.
Em termos de contratações, os guarda-redes Miguel Moreira e João Moniz voltaram para Belém e o experiente lateral-direito Cláudio Pedroso também assinou pelo clube da cruz de Cristo. Nuno Roque deve sair para ingressar no Sporting CP e o guarda-redes Roney Franzini vai passar a jogar na Liga ASOBAL. No plantel do ano passado também estavam vários emprestados, que agora vão para outras paragens, como Diogo Valério, André Alves, Pedro Santana, entre outros. Com a atual constituição do plantel é provável que os últimos três reforços sejam para as posições de central, ponta e pivot.
Esperemos que o CF Os Belenenses consiga resolver a situação económica e consiga construir um plantel de forma a cumprir os seus objetivos e que todos os clubes pelo Mundo em dificuldades o consigam também para que o nosso Andebol volte ao normal o mais rápido possível.
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